Meningococcal disease in Brazil (2015–2024): temporal trends and regional disparities in vaccination and hospitalizations
Vigil Sanit Debate, Rio de Janeiro, 2026, v.14: e02509| Publicado em: 06/04/2026
DOI:
https://doi.org/10.22239/2317-269X.02509Palavras-chave:
Infecção Meningocócica, Vacina Meningocócica, Meningite, EpidemiologiaResumo
TÍTULO PT: Doença meningocócica no Brasil (2015–2024): tendências temporais e disparidades regionais na vacinação e hospitalizações
Introdução: A compreensão do perfil epidemiológico e das diferenças regionais ao longo do tempo da infecção meningocócica permite identificar quais são os pacientes mais vulneráveis, as lacunas na cobertura vacinal e as disparidades entre regiões, orientando a vigilância epidemiológica. Objetivo: Analisar as tendências temporais e as disparidades nas taxas de doença meningocócica entre os estados brasileiros de 2015 a 2024. Método: Foi realizado um estudo ecológico no Brasil e em seus estados (2015–2024) por meio de análise de séries temporais e mapas coropléticos para avaliar a distribuição espacial da vacinação, hospitalizações e mortalidade por infecção meningocócica. Foi feito um modelo ARIMAX e regressão joinpoint para identificar mudanças nas tendências. Resultados: Foram identificadas 9.077 hospitalizações e 1.118 óbitos por infecção meningocócica. Crianças menores de 10 anos e adultos até 60 anos foram os grupos mais afetados. Espacialmente, Roraima e Bahia tiveram as maiores taxas de hospitalização, enquanto Alagoas e Espírito Santo, tiveram as menores. Mudanças significativas de amplitude e de tendência ocorreram no Rio de Janeiro e em Roraima. O modelo ARIMAX indicou aumento de óbitos e redução de hospitalizações por meningococcemia durante a pandemia de COVID-19. Conclusões: Indivíduos pardos, segundo critérios do IBGE, principalmente crianças residentes em Roraima e na Bahia, têm maior risco de hospitalização por infecção meningocócica. Amapá, Pará e Roraima apresentaram menores coberturas vacinais. A pandemia de COVID-19 foi associada à diminuição de diagnósticos e mortalidade elevada. O incremento na cobertura vacinal é associado a um efeito protetor contra hospitalização e morte por meningococcemia.
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