Uso de anti-inflamatórios em consultório farmacêutico: um estudo descritivo
Vigil Sanit Debate, Rio de Janeiro, 2026, v.14: e02432| Publicado em: 13/04/2026
DOI:
https://doi.org/10.22239/2317-269X.02432Palavras-chave:
Anti-inflamatório não Esteroidal, Dor, Corticoides, Educação em SaúdeResumo
Introdução: Anti-inflamatórios são amplamente usados para tratar dores e inflamações, dividindo-se em anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e anti-inflamatórios esteroidais (AIES). Embora eficazes, esses medicamentos podem causar reações adversas. O farmacêutico desempenha um papel essencial na orientação para o uso correto, promovendo o uso racional e minimizando os riscos da automedicação e interações. Objetivo: Analisar o perfil de uso de AINEs e AIES em um consultório farmacêutico entre junho de 2022 e junho de 2024, considerando idade, perfil socioeconômico, peso e gênero. Também foram identificadas doenças associadas ao uso desses medicamentos, além de incluir o desenvolvimento de um folder de conscientização sobre o uso racional de anti-inflamatórios e suas alternativas terapêuticas. Método: Realizou-se um estudo retrospectivo, descritivo, quantitativo e transversal, utilizando o prontuário eletrônico “VIDA” para coleta de dados e análise estatística simples. Em seguida, foi desenvolvido um folder como ferramenta educativa para os pacientes, abordando o uso inadequado dos medicamentos e alternativas não medicamentosas, como as Práticas Integrativas e Complementares (PICS). Resultados: Dos 444 pacientes, foram selecionados 59. A maioria era do sexo feminino (81,40%) e com mais de 45 anos (61,00%). Observou-se prevalência de sobrepeso (39,00%) e comorbidades (66,10%). Lombalgia foi a dor mais comum (50,80%). Diclofenaco (32,20%), ibuprofeno (20,30%) e nimesulida (15,20%) foram os mais usados. Conclusões: O estudo revelou um perfil predominante de mulheres com mais de 45 anos utilizando AINEs, com alta prevalência de sobrepeso e comorbidades.
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