Oviposição de Aedes aegypti e Aedes albopictus: um estudo em Santarém, Pará, Brasil
Vigil Sanit Debate, Rio de Janeiro, 2025, v.13: e02395| Publicado em: 16/12/2025
DOI:
https://doi.org/10.22239/2317-269X.02395Palavras-chave:
Aedes, Controle de Mosquitos, Dengue, Ecossistema AmazônicoResumo
Introdução: As ovitrampas são armadilhas amplamente utilizadas para detectar e monitorar a oviposição de Aedes aegypti e Aedes albopictus, destacando-se por sua alta sensibilidade, baixo custo e facilidade de uso. Objetivo: Avaliar a oviposição do Aedes aegypti e Aedes albopictus em ovitrampas instaladas em campus universitário localizado na cidade de Santarém, Pará, Amazônia brasileira. Método: Foi realizada uma pesquisa de campo entre novembro de 2023 e fevereiro de 2024 na Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). As ovitrampas utilizadas para a detecção de espécies do gênero Aedes foram confeccionadas com recipientes plásticos escuros, palhetas Eucatex® e solução atrativa, sendo instaladas em dois períodos sazonais distintos (seca e chuva) na área de estudo. Ao todo, foram implantadas 19 armadilhas, e os dados meteorológicos de precipitação e temperatura foram obtidos junto ao Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A partir dos resultados, foram calculados o Índice de Positividade das Ovitrampas (IPO) e o Índice de Densidade de Ovos (IDO). Resultados: Foram coletados 3.553 ovos de Aedes aegypti e Aedes albopictus, dos quais 592 foram registrados no período seco e 2.961 no período chuvoso. O IPO variou de 47,4% a 100,0%, enquanto o IDO oscilou entre 29,2 e 62,5. Conclusões: As ovitrampas mostraram-se eficazes na detecção de ovos das duas espécies-alvo, indicando a presença contínua de fêmeas ao longo de ambos os períodos climáticos, com predominância no período chuvoso. Diante dos elevados valores de IPO e IDO, recomenda-se implementar medidas de controle vetorial para prevenir potenciais agravos à saúde pública.
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